O umbigo do Mundo - será que um dia eu fui? pelagiacorelli@hotmail.com  

Rapa Nui


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segunda-feira, julho 31, 2006 :::
 

Dublê de corpo

Eu não reconheço mais, olhando as fotos do passado

O habitante do meu corpo, deste estranho duble de retratos

Talvez até eu já vivesse em algum corpo emprestado

Esperando só por você pra reunir meus pedaços

Foi tanta força que eu fiz por nada,

Pra tanta gente eu me dei de graça

Só pra você eu me poupei

Será que o tempo sempre disfarça,

Tomara um dia isso tudo passa

Desculpa as mágoas que eu deixei

Eu já dei a outra alma aos bruxos e vampiros

Eu quero que eles façam a festa enquanto eu me retiro

Só você sentiu por mim, o que nem eu sentiria

Você foi o meu escudo, e eu a própria covardia

Foi tanta força que eu fiz por nada,

Pra tanta gente eu me dei de graça

Só pra você eu me poupei

Será que o tempo sempre disfarça,

Tomara um dia isso tudo passa

Desculpa as mágoas que eu deixei

Foi tanta força que eu fiz por nada,
Pra tanta gente eu me dei de graça
Só pra você eu me poupei S
erá que o tempo sempre disfarça?
Tomara um dia isso tudo passa .


Espero que passe. Sinceramente. Desculpe.


::: postado por Pelagia :: 4:43:00 PM ::: Palpite:

 


Caro Hacker,


Ao contrário de todos os posts, esta carta é para você.

Lamento que tenha descoberto o blog. Ele não foi escrito para você.

Na verdade, este blog não foi escrito para ninguém ler, ao menos ninguém que me conhecesse de verdade, pela simples razão de que ninguém no mundo suportaria a sinceridade completa... e se há algo que lamento, é que você tenha sabia sobre mim coisas que possivelmente nunca saberei a respeito de você mesmo. Você não se vulnerabilizou como eu, em palavras publicadas.

Com a inteligência que lhe é peculiar, naturalmente não preciso explicar-lhe que muitas versões de fatos da minha vida foram ligeiramente alteradas, assim como nomes, entre outras coisas, mas que em essência, eram reais, razão pela qual você deve ter identificado os personagens, entre eles, você.

É muito doloroso ser a fonte de sofrimento de alguém. Compreendo sua intensa raiva e sensação de ter sido traído. Para mim, a maior traição foi receber, sem preparo e com parcialidade, versões furiosas ou inconseqüentes de mim mesma, a descarga de palavras que você recebeu, sem que eu soubesse.

Pra você, provavelmente, isso não tem tanta importância quando a traição com o corpo feminino, que em geral os homens consideram propriedade sua...esquecendo tantas vezes de retirar o pó de seu troféu encerrado em casa, triste e infeliz. De tentar enteder porque alguém chega chorando e se enfia no banheiro...Doeu no início, mas depois eu me acostumei. Como você leu, eu me sentia atraente, desejada, saía do mosteiro árido que era nossa vida...


Se te adianta saber, fui muito infeliz nestas investidas. Não era tão segura quanto parecia...
Embora isso não tenha te passado pela cabeça, certas estórias eram tecladas num momento tão sôfrego, que representavam apenas um instantâneo isolado de um episódio.


Mas não estou aqui para justificar nada. Esquece.

Essa sou eu, hacker, sinto muito.

Aliás, essas são eu. Aqui tem intimidades que eu não contaria para minha sombra, porque eu não gostaria de magoá-la. Aqui despejei meu ódio, meu veneno, minhas alegrias, minhas insatisfações, que não eram poucas.

No meio disso, algumas mentiras mínimas, quando eu tinha medo de me identificar demais com as estórias, mas quase tudo, como infelizmente você leu, e sabe, era verdade.

A maior mentira de todas, infelizmente, foi em relação à você.
Eu gostei de você. Esconder isso fazendo de você meu problema principal por um tempo foi uma maneira de me fortalecer nesse blog.


Eu quis ter um filho com você. Ninguém me despertou essa vontade em tantos anos. Mas agora a estrada não tem volta.

Possivelmente você se martirizou com os episódios com o Lucien, e ignorou os poucos posts em que eu falava do desespero da sensação de não conseguir atingir seu coração.

Fui minando esse sentimento de gostar de você.
Agi com irresponsabilidade, fui buscar outros afetos.
Fiquei ao seu lado porque teimosamente tinha esperança de nos entendermos, mas dizia que era mil coisas, porque meu orgulho era maior que tudo. Com certeza você notou a ausência de posts sobre nossos encontros sucessivos após o fim, em que eu lhe busquei de madrugada e ia embora culpada.


Nessas horas, não era por sexo. Desculpe a sinceridade, mais uma vez.

Acho que era mesmo amor.
Não o amor desesperado do PHD, nem romance diversão como outros.
Eu queria entender porque eu não conseguia me afastar de você.

É fácil acusar-me de amar o "PHDeus", como você fez.
Ao contrário de mim, você não derramou em palavras o seu amor por Lávia, ainda quando estávamos juntos. Mas definitivamente, sou a última a acusar quem quer que seja.

Mas, enfim, chega, já causei sofrimento demais.


Infelizmente sua descoberta me obrigou a apagar todos os meus arquivos, e em alguns dias, excluirei esse blog depois que você ler esta carta.

Não vou permitir que seu orgulho ferido -mais que amor - use meus rompantes e desabafos para ferir mais pessoas que eu amo, mesmo que as odeie vez por outra, e por isso diga coisas que nem sempre são a verdade, são apenas a ?minha verdade? e naquele exato momento que doía para mim.

Cure suas feridas, eleja-me como culpada indesculpável, justifique-me como a causa da sua depressão. É bom ter um vilão. Você foi o meu, às vezes.


Mesmo que nós saibamos que seu constante estado infeliz e ríspido foi parte do que amargurou nosso relacionamento. Respeite meus afetos pela minha mãe, meu filho, o centro espírita ao qual eu voluntario. Acredito que sou digna de respeito tanto quanto você.

Não é verdade que eu não acreditei que nós poderíamos ser nós.

Você esteve nos meus planos fortemente, mas fui desanimando dia após dia... está distante na sua memória quando eu o recebia contente vestida de avental ansiosa por sua chegada, e você reclamava que eu lhe focava demais querendo beijos e abraços na sua chegada...
eu tentei, sincera e honestamente naquela época. Cansei, desisti... mas queria estar por perto, egoistamente, à espera de um milagre que lhe modificasse.


Como disse por email, admiro sua inteligência. Sua cultura, sua percepção. Admiro sua capacidade de trabalho, seu profissionalismo. Admiro sua honestidade à toda prova, esse incrível sujeito que não imprime páginas pessoais na impressora laser do trabalho.


Mas não se engane, Hacker... ah.. não se engane...Há tantos inteligentes para discutir o Hesbollah, como você sugeriu...
Não é verdade o que você disse...Há homens inteligentes sempre nos mesmo lugares...e tudo que não me interessa ultimamente é se os judeus perpetram massacres para livrarem-se da pecha de covardes da segunda guerra mundial. Meus sentimentos em franca guerra interessam-me muito mais.

O que você tem, e o que sempre me atraiu em você não foi seu dinheiro, como você bem percebeu, enfim, depois de tantas acusações... finalmente....ao menos o blog serviu pra isso...

Aliás, se quiser resolvemos o apartamento quando você quiser. Já disse. Não quero suas coisas, sempre quis devolver, você se negou.

Não foi sua inteligência, como supôs, enganado, como sempre, sobre meus verdadeiros sentimentos...

Você era meu porto seguro. Um pai, um amigo, mesmo que eu não lhe pudesse contar os problemas que eu tinha derivados de nossa convivência infeliz.
Eu gostava de você, mas não suportava sua maneira de ser tão seco e frio comigo.


O que me atraiu você nunca percebeu em si mesmo. Eu quis ter um filho com você pela sua bondade. Sua incapacidade de fazer mal a alguém deliberadamente. Sua capacidade de amar, dizendo que não acredita no amor. Seu olhar cansado, mas cheio de uma cor indefinível que pra mim queria dizer amor, tolerância, proteção. Agora você está cheio de ódio, tentnado ser cruel sem a menor prática disso, porque não fa parte do que você acredita.

Por isso é doloroso saber que lhe feri.


Você me feriu muito. Muito.

Mas nada justifica ter te magoado também.

Sinto muito.


A.


Queridos amigos e amigas do blog,

não sei como será minha vida sem esse blog, que me acompanhou por todos estes anos...cinco anos não são cinco dias... nem eu acredito que escrevi por tanto tempo! Aqui era meu espaço, meu desabafo... a ogra, a viralata, a séria pelagia...
Sei que tive em vocês meus acusadores, relfetores, defensores, enfim... gente que tentava pôr em si mesmo a medida com que julgavam as coisas e as pessoas, e, com suas palavras, me fizeram honestamente, feliz e acolhida, acima de tudo acolhida...compreendida nas minhas raivas, nos meus erros, nos meus acertos.
Eu não queria cancelar meu blog. Eu não queria que as coisas tivessem acontecido desta forma, mas agora... não há o que eu possa fazer...
Não posso pôr o amor da minha mãe em risco, nem ferir mais gente. Stellinha, preciso de sua ajuda para garantir o cancelamento dos arquivos, que iniciei. Peço que me ajude.
Viver é deixar rastros, avisava o preá, e sempre achei que a sinceridade era uma virtude que acaba por redimir a gente, por isso me sentia aceita quando algum amigo ou amiga escrevi para mim que apesar das minhas cagadas, me compreendia, ou quando eu tinha o carinho da Stellinha, da Lulu, da Issana, Thaty, Gaby, Juliana, Jasmine, Rindu enfim, todas as pessoas queridas que passaram por aqui e me disseram o que mais eu precisava ouvir: que eu era humana. Apenas isso.

Com muito amor,
Pelagia.


::: postado por Pelagia :: 4:12:00 PM ::: Palpite:



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